Gostaria de abordar nesse breve texto, um pouco da minha experiência em atendimento a familiares de dependentes químicos, e em especial as mães. Sabemos que ser mãe engloba uma sér
Gostaria de abordar nesse breve texto, um pouco da minha experiência em atendimento a familiares de dependentes químicos, e em especial as mães. Sabemos que ser mãe engloba uma série expectativas em uma mulher, dentre elas, a expectativa de ser suficientemente boa para o seu filho, de protegê-lo, dar amor, ensiná-lo, participar de forma efetiva em seu desenvolvimento, estando sempre atenta e presente a todas as suas necessidades.
Essa expectativa é suprida ao ver o filho se desenvolvendo de forma saudável, tirando boas notas na escola, se relacionando bem com amigos, praticando esportes, enfim, tendo hábitos saudáveis que o levarão a ser uma pessoa bem sucedida socialmente e emocionalmente.
Entretanto, sabemos que os resultados positivos para esse desenvolvimento independem necessariamente da participação e de todo amor e cuidado projetado pela mãe, pois podem ocorrer dificuldades nesse processo nas quais implicarão em resultados e respostas negativas por parte do filho a todo esse investimento materno.
Um exemplo que temos enfrentado muito nos dias de hoje é a droga que está presente em todas as esferas sociais, seja nas famílias mais pobres ou mais ricas, o número de jovens usuários de drogas ou dependentes químicos vêm crescendo de maneira assustadora, preocupando muito as famílias e principalmente as mães, que tendem a se desdobrar na tentativa de acharem soluções para que seus filhos fiquem longe das drogas.
A dependência química é considerada uma doença, e muitas vezes o dependente não se considera doente e tende a consumir drogas de maneira compulsiva sem se preocupar com as consequências físicas e emocionais que o uso frequente dessas substâncias podem lhe causar. A família é que geralmente que busca ajuda nesse primeiro momento, tarefa árdua, pois é muito difícil ajudar a quem acha que não precisa de ajuda.
Podemos imaginar então, o sofrimento que uma mãe passa ao ver seu filho se perder no mundo das drogas, e principalmente em aceitar que esse filho trilhou por um caminho longe e desconhecido por seus olhos e que para ajuda-lo, ela terá de aceitar e vivenciar um mundo em que seus investimentos de cuidados e proteção parecerão inúteis, pois, o que suprirá a necessidade de seu filho não será mais o calor de seu colo, e sim a droga.
Compreender que aquele amado filho se tornou um desconhecido e que ela terá que assumir um novo papel para resgatá-lo, e que muitas vezes suas tentativas serão inúteis, pois a busca pela substância, na maioria das vezes é a prioridade na vida de um dependente químico. Tarefa difícil para qualquer mãe, porém, extremamente importante que ela consiga encontrar um equilíbrio e começar a compreender que o seu amor e carinho para com seu filho terão que ser investidos de maneira diferente a que se investia, pois o comportamento e os hábitos de um dependente químico se alteram, muitas vezes até o diálogo se torna difícil, o que pode causar mais ansiedade a quem tenta compreender e ajudar.
Desta forma, primeiramente, e tão importante quanto querer ajudar o filho a se livrar das drogas, a mãe deve buscar ajuda psicológica para se estruturar emocionalmente, no intuito de aceitar a condição da dependência química, podendo desta forma trabalhar conflitos e ansiedades, aprender a lidar com suas expectativas e frustrações de maneira menos dolorosa e descobrindo novos caminhos para uma ajuda efetiva ao seu filho.
Ser mãe é uma missão que somente uma mãe pode cumprir, independente de quais obstáculos enfrentarão, sempre estarão perto de seus filhos.
Samir Mourad
Psicólogo Clínico
CRP: 06/88835
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.