O olhar deste texto esta dirigido para os sentimentos e sensações das mães de filhos que estão na fase da adolescência. Geralmente ouvimos falar das crises deste momento de vida,
O olhar deste texto esta dirigido para os sentimentos e sensações das mães de filhos que estão na fase da adolescência. Geralmente ouvimos falar das crises deste momento de vida, os porquês do comportamento dos filhos, mas e o outro lado? A mãe!
Onde esta aquela criança que até outro dia era dependente para ir a escola, a casa dos amigos, para escolher uma roupa, atravessar a rua, entre tantas outras coisas. Agora quer fazer tudo sozinha e sente vergonha da sua ajuda. Neste momento deseja sua liberdade, estar com seu grupo, encontrar sua individualidade. A presença e a necessidade de ter a mãe por perto fica cada vez mais distante. Ao mesmo tempo é observado que toda esta explosão de comportamentos e sentimentos ainda precisa de supervisão. Ela (a mãe) sabe que sua presença é importante, mas o quanto e quando interferir?Eles são crianças ou adultos? São grandes ou pequenos?
A este cenário acrescentamos uma mulher (e não uma super heroína) que precisa entender qual seu papel nesta nova configuração da família. Até então o poder das escolhas passava obrigatoriamente pelas suas mãos e agora ele precisa ser dividido, discordado e discutido. Somando dois universos.
Para que este momento fique mais suave, é necessário a compreensão de que ser mãe é poder ter dúvidas sobre qual melhor decisão tomar. Entender que nem sempre a verdade absoluta esta em suas mãos, porque agora seu filho também já aprendeu muitas coisas. Ser mãe é antes de tudo poder ser mulher intuitiva e ao mesmo tempo tão assertiva e poderosa. É reconhecer que o tempo passou para você e para seu filho, mas que este tempo pode ser amigo, ser Kairós (*). É poder ver que seus sonhos pertencem a você e não devem ser projetados no seu filho, porque ele deve ter os seus próprios sonhos, mas nada impede que possam sonhar juntos. É compreender que esta ousadia em ir além esta acontecendo porque sabe que terá o seu apoio, e que pode confiar em você.
Entender as mudanças que estão ocorrendo, não é tão simples assim. Tudo acontecendo de maneira tão rápida pode gerar uma sensação de impotência. Encontramos no processo de terapia o auxilio na compreensão deste novo (ou será velho?) papel de mãe,levando a perceber que a passagem do tempo apresenta lado positivo. Proporciona fortalecimento para entender que ser mãe é antes de tudo ser mulher em toda sua essência.
(*) na mitologia grega o jovem Kairós era visto como aquele que representa o momento ou oportunidade em relação ao tempo…é tempo divino que o vento trás, a vida conspira…este tempo não é cronológico….apenas acontece….se manifesta instante a instante e permanece eterno.
Claudineia Sartori
Psicóloga Clínica e Hospitalar
CRP 06/54651
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.