Nos dias de hoje, vem se tornando cada vez mais comum a queixa de mães com relação a falta de tempo para curtirem seus filhos por conta de sua rotina turbulenta como ocupam papel
Nos dias de hoje, vem se tornando cada vez mais comum a queixa de mães com relação a falta de tempo para curtirem seus filhos por conta de sua rotina turbulenta como ocupam papel de mãe e pai, cuidar dos filhos, trabalhar, cozinhar, cuidar da casa.etc. Na tentativa de “suprir” esta ausência, fazem o possível para ocupar ao máximo o tempo da criança, com atividades, aulas, estudos, cursos, permanência integral na escola, etc. Desta forma, parece mais fácil aceitar que a falta de tempo é sutilmente mascarada pela ocupação excessiva dos filhos em atividades, onde ambos permanecem “ocupados”, fazendo com que não sintam tanta falta um do outro. E então, ao voltar para casa no fim do dia, ambos estão esgotados e resta somente dormir para encarar o longo dia seguinte. Essa rotina se torna um hábito e automaticamente fica difícil perceber o quanto o tempo está sendo mal aproveitado.
Até que um dia a criança começa a apresentar problemas. A criança vai tentando expressar da maneira que consegue sua insatisfação, sua carência com relação á mãe, sua indignação por não tê-la da maneira que gostaria. Neste momento, a mãe procura auxílio levando seu filho para psicoterapia. São inúmeros os pré-diagnósticos realizados pelas mães que tentam encontrar um nome para doença que ela acredita que seu filho tenha: déficit de atenção, hiperatividade, agressividade, ansiedade entre outros. Será que não estamos nos precipitando? Será que esta criança não está apenas tentando dizer o quanto sente a falta da mãe ou o quanto está sendo sobrecarregada de atividades?
Então, grande sentimento de culpa invade essa mãe. Culpas: por não ter outra opção a não ser viver na rotina que está; por não ter percebido que esteve ausente; por não ter enxergado os sinais que seu filho apresentou tentando chamar sua atenção; por ter deixado a situação chegar a tal ponto.
Culpa. Este é o sentimento que invade o coração de muitas mães.
É preciso parar, fazer uma avaliação da relação que está sendo construída entre mãe e filho, analisar possíveis alterações e ajustes na rotina tanto da mãe quanto da criança, entender que muitas vezes a qualidade do pouco tempo que se tem , é muito mais valiosa do que a quantidade de tempo que não se tem. Aproveitar o tempo da melhor maneira possível. Assim, a criança começa a se sentir mais acolhida, compreendida e principalmente, começa a receber a verdadeira atenção que tanto busca. O processo de Psicoterapia auxilia no entendimento do problema, iluminando e tirando da frente os obstáculos para que esta mãe passe a enxergar que existem outras formas de fazer parte da vida do seu filho, de participar, de ser mãe ainda com toda a rotina mergulhada em responsabilidades, auxilia a diminuir ou até mesmo sanar o sentimento de culpa por ser ausente.
Devemos olhar para a criança e tentar entender o que está sendo dito quando ela demonstra sua insatisfação de forma negativa, destrutiva e agressiva. Por isso se faz tão importante a realização da psicoterapia, tanto para a mãe quanto para a criança. Desta forma, ambas irão trabalhar suas questões individuais, explorar seus sentimentos e junto com o Psicoterapeuta encontrar uma forma mais saudável de manter a rotina sem perder a qualidade nos momentos mais importantes dessa relação e, principalmente sem que exista o fantasma do sentimento de culpa.
Aline Salvador
Psicóloga Clínica
CRP: 06/94664
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.