Para que a minha fome? Esta é uma pergunta que deve ser feita quando o assunto diz respeito aos distúrbios alimentares. Até onde a fome é uma necessidade orgânica ou uma tentativa
Para que a minha fome?
Esta é uma pergunta que deve ser feita quando o assunto diz respeito aos distúrbios alimentares. Até onde a fome é uma necessidade orgânica ou uma tentativa de suprir uma lacuna na vida?
Quando falamos em obesidade é necessário identificar quais fatores que favoreceram para o excesso de peso. O fator é ambiental? Genético? Psicológico ou psicossocial?
Os fatores ambientais dizem respeito ao sedentarismo, hábitos alimentares, cultura de cada região e padrões de relacionamento no ambiente familiar.
Com ação permissiva para os fatores ambientais, os fatores genéticos reportam ao sistema fisiológico na regulação do balanço energético, funcionamento do organismo frente ao metabolismo de ingestão e queima de energia, síndromes genéticas associadas com a obesidade entre outros.
A obesidade, como fator psicológico, é associada à compulsão alimentar que não deve ser confundida com aqueles abusos do final de semana ou o “lambiscar” durante o dia.
Esta compulsão é descrita no Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica que será caracterizada pela ocorrência de episódios onde se come grande quantidade de comida em intervalos curtos de tempo e pela a sensação de perda de controle sobre o ato de comer, seguida do arrependimento e culpa. Pode parecer familiar porque talvez todos já tenham passado por isto, porém, é muito mais complexo.
A busca do alimento como forma de encontrar prazer e acabar com a angústia surge na inquietação frente ao desconforto de tentar identificar o que, no momento, não está bem e incomoda de forma insuportável.
Comer sozinho, mentir, sentir culpa e vergonha em relação à quantidade de alimentos ingeridos e esconder comida são algumas das características de um comedor compulsivo. O que pode parecer ausência de força de vontade para enfrentar o descontrole é na verdade a compulsão alimentar, uma doença.
Independente da origem, a obesidade precisa realmente ser vista como uma doença que pode levar a outras doenças e deve ser tratada por equipe multiprofissional envolvendo médicos, psicólogos, nutricionistas e outros, dependendo do seu grau do comprometimento.
No processo de psicoterapia o psicólogo irá ouvir, entender e dar voz ao paciente, ampliando a consciência sobre seus sentimentos e a percepção do que não esta sendo dito, oferecendo recursos para transformação ou mesmo mudança de cenário. Enfim, procurar resposta para a pergunta: “Para que a minha fome?”.
Texto: Claudineia Sartori- psicóloga clínica e hospitalar
Referência bibliográfica:
Compulsão Alimentar ( Periódica)
www.psiqweb.med.br/site/?area=no/ler noticia
acesso em 04/11/2014
Transtornos Alimentares e Obesidade
Maria Angelica Nunes, José Carlos Appolinario, Ana Luiza Galvão, Wlamir Coutinho e Colaboradores.
Editora Artmed
Segunda edição
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.