Essa moda do ficar está pegando mesmo. Pegar, ficar, relacionamento sem compromisso, relação aberta, amigo com benefícios….esse descompromisso está cada vez mais atuante em qualque
Essa moda do ficar está pegando mesmo. Pegar, ficar, relacionamento sem compromisso, relação aberta, amigo com benefícios….esse descompromisso está cada vez mais atuante em qualquer faixa etária.
A questão do relacionamento amoroso possui aspectos delicados que, se quisermos lidar com seriedade, devemos tratá-lo com muita consciência para não cairmos em posições unilaterais ou preconceituosas. Uma das grandes dificuldades de se lidar com o amor é que ele sempre se transforma em um problema individual, descaracterizando todos os critérios e regras gerais. Não se pode emitir conceitos generalizados sobre o assunto, sendo esta a razão de polêmicas e controvérsias.
Longe de moralismos ou críticas, o ficar pode ser saudável, pois acarreta experiências e autoconhecimento sobre suas escolhas, dá prazer, diversão e liberdade entre outros fatores.
Mas como toda condição humana, esta opção possui vantagens e desvantagens.
Entre os adolescentes ou mais jovens, a conquista e o afeto dirigido a uma possível relação amorosa estão sendo substituídos pelo afeto e aceitação do grupo, pois o ficar dá mais ibope e reconhecimento entre os amigos. Aqui esse movimento é normal e pode ser muito saudável visto que essa geração mais jovem ainda está conhecendo e testando suas emoções, estão se descobrindo e amadurecendo sua afetividade.
Mas nos tempos modernos percebemos cada vez mais difundida essa superficialidade dos relacionamentos no público mais velho.
A questão não é ficar ou não ficar, e sim ficar no ficar. Quando esse descompromisso se torna única opção ou permanece por longo tempo, pode acarretar consequências psicológico-emocionais negativas que nem sempre são percebidas pelos ficantes.
Muitas vezes projetamos sofrimentos passados no futuro, como experiências anteriores mal sucedidas ou até vivida dentro de casa a relação dos pais conturbada, Esses exemplos podem ser fatores determinantes para o indivíduo generalizar uma experiência desastrosa no seu passado optando por padrões provisórios de relacionamentos, como amizade colorida, ficar, transar sem compromisso, entre outros termos. Entretanto, essa lógica não é suficiente para suprir uma demanda afetiva que continua insatisfeita.
A conquista de uma maior liberdade no que se refere aos relacionamentos, parece que criou a lógica do quanto mais melhor ou de que o melhor ainda está por vir e assim as pessoas entram num terreno árido e continuam buscando e buscando acabando por se distanciar cada vez mais umas das outras.
Pessoas se iludem achando ser esta a solução. Impedindo o desenrolar do processo de alcance de uma maturidade e consequente conquista de um relacionamento estável.
Só que amar é uma necessidade universal.
Conquistar e ser conquistado, sentir-se amado, envolver-se com alguém e saber que pode dar continuidade a essa relação, é saudável, pois contribui com o amadurecimento emocional e no desenvolvimento de recursos internos para superar adversidades que sempre estão presentes nos relacionamentos.
Esta maturidade de julgamento em relação aos interesses e planos de vida só se desenvolve através de tentativas e erros. As ilusões e desilusões acabam por comprometer este caminho, e assim as pessoas se fixam na condição do ‘ficar’, bloqueando esse processo. O medo de um envolvimento emocional que levaria ao sofrimento pode impedir a experiência do amor autêntico. O amor acontece naturalmente e precisa de oxigênio para crescer. Uma das maiores contradições a respeito do amor é que, se ele não tem continuidade, não se realiza. Em contrapartida, se continua, pode acabar se enfraquecendo. O amor moderno é flutuante, episódico, sem compromisso com o amanhã. O resultado são renúncias, desapaixonamentos e abandonos que criam uma enorme descrença em relação ao amor.
Quando evitamos o envolvimento, o amadurecimento emocional fica prejudicado e a autoestima também. No ficar ninguém é de ninguém, não há envolvimento ou interesse genuíno pelo outro. O outro não nos escolheu, ele simplesmente está acumulando números de conquistas.
A baixa autoestima ou a visão negativa de si mesmo(a) pode fazer também com que uma pessoa duvide de sua capacidade de fazer alguém feliz. Quem não se sente merecedor(a) de amor, acaba sabotando os relacionamentos sem perceber.
Gostaria de finalizar ressaltando que toda escolha tem seu ônus e seu bônus. Relacionamentos passageiros ou mais estáveis têm seus desafios, alegrias e dissabores. Não podemos é ficar reféns das experiências passadas que nos causaram sofrimento para basearmos nossas escolhas futuras.
A psicoterapia nos fornece um espaço para o autoconhecimento, reconhecimento e libertação dos fantasmas e medos que nos assombram e assim podermos trilhar novos caminhos.
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.
