Muitos usuários da internet tiveram acesso a esta brincadeira despertando a atenção por diversos motivos. Neste texto será discutido o interesse dos adolescentes, buscando compreen
Muitos usuários da internet tiveram acesso a esta brincadeira despertando a atenção por diversos motivos. Neste texto será discutido o interesse dos adolescentes, buscando compreender o porquê do sucesso para este público.
A brincadeira do Charlie, Charlie consiste em desenhar uma cruz em uma folha de papel, escrevendo quatro possíveis respostas nos espaços- “sim” e “não”. A pessoa deve cruzar duas canetas em cima da cruz e dizer:”Charlie, Charlie, você está aqui?”. Após alguns segundos uma das canetas deverá mover por conta própria sinalizando que a presença do espirito do Charlie está presente, em seguida faz-se perguntas com alternativas para o “sim” ou “não” que serão respondidas por ele. Antes de encerrar é preciso pedir autorização: “Charlie, Charlie, podemos parar?”
A brincadeira é apresentada por um diálogo com o mau, uma vez que este espírito representa um demônio (segundo a lenda). Independente da crença sobre a existência do mau, o interessante é que nela há regras que devem ser respeitadas. Outra questão sedutora é que ela (a brincadeira) desperta para uma atitude desafiadora de controlar o momento e encontrar respostas mágicas.
Simbolicamente o que isto representa? Ao participar desta brincadeira o adolescente é desafiado a entrar em contato com seus conflitos internos. Está passando por uma fase na qual precisa se firmar enquanto sujeito e ser aceito pelo grupo é de vital importância. Quando entra na brincadeira, que mais se assemelha a um ritual, demonstra coragem e estar em condições para ingressar e pertencer ao grupo. Outra característica é que ela representa a possibilidade de “adivinhar o futuro”, e em um momento com tantas inseguranças, isto pode representar uma solução para as respostas não encontradas.
O adolescente é colocado a prova o tempo todo sobre valores e questões que reportam sobre o que é correto e, neste momento da vida identificar qual caminho seguir é importante para sua autoafirmação, assim como seguir as regras impostas.
Na fase da adolescência há o pensamento magico de poder lidar com o imprevisto com a certeza de que nada de mau irá acontecer, por isto não vê o perigo, desafiando-o em diversas situações.
Podemos inferir que o adolescente entra nesta brincadeira porque acredita que poderá resolver todas estas questões com um sim ou não, mas será? E qual é o papel do adulto neste processo?
A “brincadeira”, assim como a vida do adolescente, precisa ser acompanhada por seus responsáveis. O adulto deve ser aquele que caminha junto com o adolescente ouvindo com atenção e interesse sobre o que ele está querendo saber. Se a “brincadeira” está interessando tanto, o que ele está tentando resolver? É preciso permitir que ele encontre espaço e segurança onde possa falar sobre as angústias e incertezas onde seus problemas serão compartilhados, buscando soluções reais e elaboradas dentro de um contexto seguro. Ele está caminhando rumo a sua autonomia.
Claudineia Sartori
CRP 54651/06
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.
