Fácil pra você, não é contigo! Aposto que você já pensou nessa resposta toda vez que te falaram isso. Quem já não passou por uma situação de desamor, de separação ou perda e travou
Fácil pra você, não é contigo! Aposto que você já pensou nessa resposta toda vez que te falaram isso.
Quem já não passou por uma situação de desamor, de separação ou perda e travou uma luta intensa para virar a página e partir pra outra?Pior, ficou se torturando com pensamentos como: que foi que eu fiz ou deixei de fazer ou deveria ter feito?
A realidade é que não é nada fácil encerrar internamente um relacionamento amoroso.
Não vou descrever aqui os motivos dos quais uma relação pode chegar ao fim, mas em algum momento essa história de amor acaba e nossos sentimentos não acabam com a partida dessa pessoa. Por quê?
O fato é que quando nos relacionamos, o presente vira plural, ou seja, todas suas atividades incluem o outro, tudo está sincronizado com ele(a). E mais, o futuro também está sendo traçado nessa perspectiva a dois. Fazemos planos, criamos expectativas contando com a presença do outro.
Mas porque para uns é mais fácil e para outros tão difícil esquecer?
Assim como nosso corpo precisa de alimento para sobreviver, as relações afetivas nutrem nosso ser interior. Todas as nossas experiências afetivas que vamos acumulando ao longo de nossas vidas das diversas relações que estabelecemos, sejam elas familiares, sociais ou amorosas, são determinantes para a formação do nosso jeito de ser e estar no mundo. É essa ¨bagagem afetiva¨ que irá determinar uma vida emocional saudável ou não. Por isso torna-se importante sabermos desfrutar de todo esse universo de possibilidades afetivas que nos cercam.
O sofrimento surge quando depositamos todo nosso afeto em um único alvo esperando que ele possa suprir-nos de todas as nossas necessidades. Muitas vezes nos afastamos dos amigos e familiares para nos dedicarmos exclusivamente a esse amor. O outro vira “tudo” e a balança fica descompensada. Ficamos refém dessa relação. Com a partida dessa pessoa, a sensação é que você também se foi, por isso a dor e a dificuldade em superá-la.
O que fazer então?
Não vou me utilizar de psicologia pronta e dar receitas de como esquecer os dissabores da vida. Isso não funciona porque cada ser é único e tem formas singulares de superar situações difíceis.
Muitas pessoas buscam a psicoterapia para ajudar nesse processo de elaboração e superação do sofrimento e essa decisão é extremamente recomendável. Terapia é um olhar para si mesmo, é entender nossas escolhas e os sentimentos envolvidos. Diferente de conversar ou desabafar com os amigos, a psicoterapia nos propõe a encontrar ferramentas, antes indisponíveis pelo fato de estarmos “engessados” apenas no foco da perda de um único relacionamento, nos impedindo de acessar todos aqueles nutrientes emocionais que acumulamos ao longo de nossa existência. O sofrimento diminui e a dependência afetiva também, porque reaprendemos que o afeto pode ser obtido das várias relações que temos com as pessoas que nos cercam e ele se acumula dentro de nós tornando-se fonte inesgotável mesmo que o outro já não esteja mais presente. Assim, podemos optar por escolhas mais saudáveis e equilibradas.
E mais, aprendemos principalmente a não cair repetitivamente em ¨armadilhas¨ que nos causam dependência afetiva e sofrimento.
Rita Pinella Psicóloga Clínica CRP: 06/29395
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.