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Vamos falar sobre suicídio
Transtornos e Sintomas

Vamos falar sobre suicídio

Equipe Equilybra Psicologia17/09/2017 5 min de leitura

Recentemente recebemos, surpresos, a notícia do suicídio de pessoas famosas como Chester Bennigton, Chris Cornell, Robin Willians. Em comum, além das mortes provocadas pelo enforca

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Recentemente recebemos, surpresos, a notícia do suicídio de pessoas famosas como Chester Bennigton, Chris Cornell, Robin Willians. Em comum, além das mortes provocadas pelo enforcamento, a depressão e o abuso de álcool e drogas. Pessoas famosas que traduzem um número surpreendente: 1 (uma) pessoa a cada 40 (segundos) se suicida, no mundo – segundo a OMS, que acredita que os números devem ser maiores, porque nem todos os países tem as informações passadas corretamente.

São anônimos que nos fazem pensar em refletir nessa situação grave e alarmante.  Grave, principalmente, por conta do estigma que existe em torno do tema “Suicídio”, então, é necessário entender e compreender o que pode ser feito para que esses números sejam reduzidos.

Inicialmente é preciso tirar o Estigma e o tabu existente sobre o assunto, afinal, o Suicídio sempre foi considerado um pecado, seja por razões religiosas, morais ou culturais.

Tabus não desaparecem rapidamente, para mudarmos uma ideia arraigada em nossa sociedade é necessária muita discussão e muito esclarecimento.

Um dos grandes e mais comuns erros que envolvem o suicídio é não levar em conta que estamos diante de quadros de doença psiquiátrica não tratada e muitas vezes, nem diagnosticada, fazendo com que as pessoas sintam-se excluídas e envergonhadas por terem pensado ou tentado o suicídio.

Não repetir o tal erro é o começo do processo de cura.

Os suicidas estão quase que invariavelmente, passando por uma doença mental, ou seja, sua percepção da realidade está prejudicada, interferindo no seu livre arbítrio.

É necessário tratar essa doença mental de maneira efetiva, com ajuda psicológica e psiquiátrica, jamais fazendo referência a força de vontade, gratidão, etc., porque isso só aumentará o sentimento de culpa, perpetuando o estigma e tabu que estão associados à situação.

Quando essa pessoa tem sua doença tratada, o risco de suicídio desaparece, ou seja, é importante tirar o estigma da pessoa que foi acometida por uma doença psiquiátrica.

As pessoas que pensam em suicídio ou mesmo as que chegaram a cometê-los verbalizaram dias, semanas ou meses antes a sua ideia de suicídio, em especial para os profissionais da saúde e não foram levados à sério, porque ainda existe o estigma de “quem fala muito, pouco faz” ou “só quer chamar a atenção”. É necessário ouvir o paciente sempre, em suas falas, seus comportamentos corporais, sua postura.

Então, citarei alguns esclarecimentos importantes sobre a possibilidade do suicídio:

– Falar sobre o suicídio não aumenta o risco, em contrário, pode aliviar a angústia e a tensão que os pensamentos suicidas trazem.

– É importante reconhecer os fatores de risco e também os fatores chamados de protetores, para que se possa identificar os riscos e, a partir daí, estabelecer estratégias para reduzir os mesmos.

–  Ainda não é possível prever exatamente quem irá se suicidar, mas tentar reduzir a possibilidade.

–  Detalhar o conhecimento dos fatores de risco pode auxiliar a delimitar populações nas quais os eventos poderão ocorrer com maior frequência.

Os dois principais fatores de risco são: tentativa prévia de suicídio e doença mental.

Tentativa prévia de suicídio é sem dúvida o mais importante indicativo que a pessoa necessita de acompanhamento médico e psicoterápico, bem como, o diagnóstico do que está acometendo essa pessoa. Sabe-se que pessoas que cometeram suicídio ou sua tentativa tinham quase em sua totalidade uma doença psiquiátrica não tratada, como bipolaridade, depressão, esquizofrenia, abuso de álcool/drogas, ente outras.

Como prevenir??? Através dos fatores protetores – aquelas condições que as pessoas possuem e diminuem o risco de ideias suicidas: autoestima elevada; bom suporte familiar; laços sociais bem estabelecidos com família e amigos; religiosidade independente da afiliação religiosa e razão para viver; ausência de doença mental; estar empregado; ter crianças em casa; senso de responsabilidade com a família; gravidez desejada e planejada; capacidade de adaptação positiva; capacidade de resolução de problemas e relação terapêutica positiva, além de acesso a serviços e cuidados de saúde mental.

É necessário falarmos também da POSVENÇÃO do suicídio:

Posvenção inclui as estratégias para a pessoa cuidar de si mesma após a experiência dos pensamentos suicidas ou tentativas de morte, bem como, tratar a família da pessoa que cometeu o suicídio. O próprio paciente ou sua família devem receber tratamento para evitar novas tentativas ou lidar com o luto, caso o ente querido tenha cometido o suicídio.

Grupos de aporte emocional são grandes facilitadores – terapia de grupo (os chamados Grupos Terapêuticos Específicos), Terapia Individual tanto para quem fez a tentativa de morte, como para a família que passou pela experiência do suicídio, pois reconhecer-se num grupo diminuiu grandemente a carga emocional e facilita o processo do luto, trazendo alívio e promovendo a resistência diante de uma situação tão sofrida.

É necessário que o sobrevivente da tentativa de suicídio e também, os membros da família do suicida contem com ajuda para lidar com a situação, porque a falta de empatia aliada ao preconceito e ao estigma social, intensificam o sentimento de perda daquele grupo familiar, tendo um grande impacto por conta da culpa e vergonha pela situação.

É comum acontecer o isolamento social por conta da vergonha e culpa, sendo que essa é uma das mais necessárias mudanças que o tema necessita, já que o sobrevivente e/ou sua família já estão suficientemente abalados emocionalmente.

Oferecer cuidados de saúde psicológica e psiquiátrica aos envolvidos é o que se chama de Posvenção, tendo como objetivo diminuir o sofrimento, bem como, fornecer apoio emocional para o enfrentamento da situação.

Olhar o outro sem preconceitos, ouvir e perceber o seu sofrimento, oferecendo ajuda de profissionais da saúde mental é o começo para que números tão alarmantes sejam minimizados.


Simone V. Valenci Prado – CRP: 06/45275

Psicóloga Clínica na Abordagem Existencialista-Fenomenológica

*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.


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Publicado originalmente em blogspot da Equilybra .

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