O uso do termo depressão caiu na oratória popular, basta uma pessoa estar quieta, desanimada ou mesmo sem querer falar que já é diagnosticada, por aqueles que estão ao seu redor, c
O uso do termo depressão caiu na oratória popular, basta uma pessoa estar quieta, desanimada ou mesmo sem querer falar que já é diagnosticada, por aqueles que estão ao seu redor, como depressiva. Mas qual será o limite entre um estado de tristeza e o da depressão?
A tristeza é um sentimento com duração limitada e pode ser sentida em diversos momentos, podendo ser desencadeada por um evento específico ou mesmo sem sabermos o porquê desta sensação. Em algum momento todos irão vivenciar, ela faz parte da nossa existência e passar por este sentimento nos possibilita seguir em frente, olhar para dentro e mudar o que não está bom. E principal, não nos impede de viver normalmente.
Mas é claro que é dolorosa e é natural tentarmos evitá-la, mas passar por este sofrimento nos possibilita cicatrizar feridas do nosso cotidiano. Quando mantemos um sentimento dentro de nós é tão ruim que chega a congelar. Lançando este olhar sobre a tristeza, podemos dizer que ela nos ajuda a despertar energia para buscar o seu oposto que é a alegria. Não estamos nos referindo a ausência da felicidade mas sim, a esta dança entre esses dois sentimentos. De maneira poética Vinicius de Moraes retrata isto na letra do Samba da Benção… “…é melhor ser alegre do que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é como luz no coração….”
Já a depressão foi descrita por Hipócrates (conhecido como pai da medicina) há mais de 3 mil anos relatando os seguintes sintomas: animo entristecido; sentimento de um abismo infinito; extinção do desejo de fala; atração irresistível pela morte, pela ruína, pela nostalgia e pelo luto entre outros. Nos dias atuais mais alguns sintomas foram acrescidos a esta lista: problemas relacionados ao sono (dormir demais ou perder o sono); mudanças no apetite; falta de concentração; cansaço mesmo na rotina diária como lavar-se, vestir-se; visão negativa de si entre outros. São sintomas que descrevem mais do que um estado de humor passageiro, retrata uma doença.
É isso mesmo! A depressão é uma doença e necessita de um diagnóstico minucioso, orientação médica para administração de medicamentos e, de forma complementar, acompanhamento em psicoterapia para auxiliar a reestruturação psicológica visando melhor compreensão e manejo da doença. Falar sobre a depressão com enfoque preventivo é de extrema importância por se tratar de uma doença de difícil percepção para o paciente e todos os envolvidos.
Um quadro de tristeza prolongado pode levar a depressão (para aqueles que possuem predisposição á doença) e esta é a diferença básica entre uma e outra. O limiar será a duração e a persistência dos sintomas desencadeados. Na dúvida,não hesite, procure orientação.
Claudineia Sartori
Psicóloga Clinica e Hospitalar – CRP 06/ 54651
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.