
Qual a diferença entre o amigo e o psicólogo
Quando passamos por dificuldades, momentos decisivos ou mesmo uma “crise” é natural desejar dividir com alguém, nessas horas um amigo sempre é muito bem vindo. Na lista de amigos p

Quando passamos por dificuldades, momentos decisivos ou mesmo uma “crise” é natural desejar dividir com alguém, nessas horas um amigo sempre é muito bem vindo. Na lista de amigos podemos incluir primos, tios, companheiros e até mesmo os próprios pais. No contrato desta amizade está implícito: ajudar, dar risada, caçoar, brigar e fazer as pazes, dar conselhos, oferecer o ombro, ser leal, ter carinho entre tantas outras funções. Se acontece algum problema, procuramos aqueles que queremos bem para compartilhar nossas dores. Porém com todas estas manifestações de carinho e envolvimento, torna-se impossível ser neutro e identificar qual é a questão que esta permeando o problema. Por vezes é difícil dizer para está pessoa querida, que ela também pode ter sua parcela de responsabilidade por tudo o que esta acontecendo. Ou ainda são questões tão intimas e desconhecidas (para os dois) que faltam palavras para que os sentimentos venham a tona. O psicólogo entra no momento em que há necessidade de se ter um elemento neutro, com habilidade para oferecer um retrato, o mais próximo da realidade, sobre a situação atual e juntos encontrarem formas de elaborar estas questões. O objetivo é encontrar um caminho que ofereça a “cura”. O Mito de Quíron nos auxilia a entender a dimensão deste processo. Quíron era um centauro que todos procuravam pelo seu poder de cura. Certa vez foi ferido por Hércules que o acertou com uma flecha envenenada. Este ferimento não era como outro qualquer, não havia possibilidade de tratamento ficando com uma ferida incurável. Através desta dor eterna, Quiron entendeu a dimensão do sofrimento daqueles que curava. Considerando este mito, podemos pensar no papel do psicólogo como curador. O Curador Ferido reflete a ideia de que a “cura” seria mais do que a conscientização dos problemas e conflitos, seria aprender a lidar com o sofrimento de forma saudável. É importante encararmos nossas dores e feridas; nelas encontraremos a condição básica para qualquer cura. Se negarmos e /ou fugirmos, o sofrimento se intensifica. Vale ressaltar que nossos sofrimentos fazem parte de nós, porém, quando aceitamos e entendemos iniciamos a jornada rumo à saúde. Assim como compreender que algumas feridas saram enquanto outras não. O psicólogo visto como o Curador Ferido necessita também de um trabalho voltado para suas próprias feridas. A elaboração de seu sofrimento abre espaço para que o paciente deposite nele entendimento sobre seu próprio pesar. O momento para tomar a decisão de procurar um psicólogo está dentro de cada um. É percebido quando aquela conversa com o amigo foi reconfortante, mas não suficiente para o encontro das respostas. E o mais importante: tanto o amigo verdadeiro como o psicólogo desejam que a sensação de bem-estar torne-se maior que a ferida sem cura. Claudineia Sartori CRP- 06/ 54651 *O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.

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Publicado originalmente em blogspot da Equilybra .



