
Crise econômica x crise nos relacionamentos
Entrevista cedida para o Jornal do Trem I – Por que a relação social – seja entre família, amigos ou profissional – entra em atrito quando a sociedade passa por problemas econômico
Entrevista cedida para o Jornal do Trem I – Por que a relação social – seja entre família, amigos ou profissional – entra em atrito quando a sociedade passa por problemas econômicos/políticos? A crise gera ansiedade e tensão, com a sensação de insegurança, que reflete diretamente na saúde emocional afetando as relações, tanto familiares, como sociais. Para se ter uma ideia, uma das maiores queixas que vemos de casais em consultório é a divergência financeira, que aumenta em tempos de crise. II – Entre um casal, que ao chegar ao final do mês, percebe que a conta não vai fechar, o que eles podem fazer para que isso não afete o convívio entre eles? O mais importante é o diálogo, pois quando o casal se fecha e não conversa entre si a sensação de solidão pode instalar-se, provocando grande afastamento, especialmente se a relação já não vinha bem. O diálogo favorecerá a tomada de decisões para que o casal consiga estabelecer as prioridades financeiras. O consenso familiar em como utilizar os recursos financeiros da família é sempre o ideal, por isso é tão necessário o jogo aberto, para evitar esse isolamento e o consequente afastamento. Cada casal tem um repertório próprio para responder às situações de crise, sendo que poderão ser atingidos com maior ou menor intensidade, dependendo desse repertório. Porém, se o casal já estava passando por dificuldades na relação, a crise financeira irá agravar e a ajuda profissional será necessária. Não podemos perder de vista que toda crise também pode gerar grandes oportunidades se não perdermos energia e tempo com cobranças e acusações. Compreensão diante das dificuldades fortalece o vínculo entre o casal, pois não permite que se instale o sentimento de solidão, tão devastador nos relacionamentos. Por isso, tão importantes a honestidade e o ‘jogo aberto’! III – Em períodos como esse, de grave crise política/econômica, a procura por terapia, seja individual, de casal ou familiar, aumenta? Sim, a procura aumenta. Casais buscam ajuda para resgatar a cumplicidade e superar as dificuldades de relacionamento ocasionadas pela falta de dinheiro. Resgatar a proximidade e os objetivos comuns é sempre um dos caminhos que a terapia de casal ou família possibilita. Através desse resgate, o casal pode conseguir aparar suas arestas, resolver mágoas, aprender a lidar com as cobranças e desenvolver uma maior maturidade para relacionar-se. IV – Nos dias de hoje, a sociedade anda em conflito. Direita contra esquerda, héteros contra homo afetivos, brancos contra negros. Apesar dos avanços e do aumento da percepção de igualdade, o desrespeito e a falta de compreensão aumenta em períodos como esse, onde uma parcela parece querer ser melhor que o outro. Do que a sociedade precisa para que as relações sociais permaneçam em paz, sem atritos que hoje estão se tornando cada vez mais comuns? Inicialmente de maturidade, imparcialidade e empatia. Analisar a situação de forma imparcial – ou seja, não acreditar que o seu ponto de vista ou visão política seja a verdade absoluta. Empatia para colocar-se no lugar do outro e entender qual a necessidade e os sentimentos dessa outra pessoa que vive diferentemente de nós. Para isso, só tendo maturidade e inteligência emocional: reconhecer que apesar das diferenças, somos todos iguais, com sentimentos, desejos e necessidades. V – A crise também afeta, diretamente, os funcionários que possuem um emprego “fixo”. Ele vai trabalhar todos os dias com a incerteza que estará empregado no outro dia. O que esse indivíduo pode fazer para não acumular esse estresse de incertezas no trabalho e, consequentemente, descontar na família ou nos amigos? Sim, afeta a todos, independentemente de estarem ou não empregados. Há casos onde a saúde física está sendo prejudicada, pacientes reclamando de gastrites, insônia, sensação de perigo iminente, depressão, etc… Diante desse quadro de incerteza em relação ao amanhã (“ e se eu perder o meu emprego amanhã? E se a empresa falir? ’), as pessoas acabam por esquecer que é necessário encontrar atividades onde o estresse é trabalhado de alguma forma, por exemplo, através de atividades físicas. Participar de grupos de exercícios físicos ao ar livre, como caminhadas, corridas, bicicleta, além de procurar ajuda psicológica para lidar com a incerteza e toda fantasia gerada pela mesma é indicado. Jamais se calar e se fechar, escondendo da família ou do parceiro/a os sentimentos que podem tomar maior proporção por conta do medo. VI – Essa tensão social causada pela crise econômica/política pode gerar riscos mais sérios ao indivíduo, além dos problemas de convívio com pessoas próximas? Nosso corpo sente sempre reflete situações de grande estresse, aparecendo os sintomas físicos, assim como os emocionais. O isolamento também é um efeito bem negativo da grande tensão causada por uma grave crise financeira porque a pessoa fica insegura em relação ao futuro e essa insegurança gera a fantasia, afetando a auto estima. É necessário pontuar o que é característica pessoal, o que é resultado da crise que o país atravessa, por exemplo, num desemprego prolongado. Resgatar a autoestima, a autoconfiança, ajudar a traçar metas objetivas e aprender a lidar com o medo e com a fantasia são fatores trabalhados em terapia. Simone V. Valenci Prado – psicóloga CRP: 06/45275 *O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.

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Publicado originalmente em blogspot da Equilybra .



