Depois que os votos são firmados em cartório, abençoados pela religião ou simplesmente se decide ” juntar as escovas de dentes”, está formada a união. E aí não há mais namoro? E af
Depois que os votos são firmados em cartório, abençoados pela religião ou simplesmente se decide ” juntar as escovas de dentes”, está formada a união. E aí não há mais namoro? E afinal o que é namorar?
Segundo definição no dicionário Aurélio namorar significa:” andar de namoro com, requestar, seduzir, encantar, cobiçar, sentir amor, apaixonar-se…”. Esta definição parece ser compatível com aquele momento em que conhecemos a pessoa e desejamos estar juntos, sendo cada dia uma oportunidade de cortejo, de encantamento e de sedução. Com o passar do tempo este relacionamento fica tão solido que a aliança se firma. Porém com a rotina, com filhos e as responsabilidades… o cortejar, enamorar-se e apaixonar-se acaba se diluindo e o namoro fica para depois, ou nem para depois!
Não precisa ser deste jeito. Nada justifica abrir mão desta sensação tão boa que, afinal, os uniu. E esta sensação chama-se amor! E ele precisa ser vivido e desejado por ambos para que não enfraqueça. No dia dos namorados é comemorado o amor, então se no casamento há um voto de amor, temos muito para comemorar!
Namorar no casamento é brincar como quando solteiros, porém, agora fazendo travessuras por vezes escondido dos filhos. É lembrar de dar um beijo nas despedidas das manhãs e nos reencontros a noite. Reservar um momento para uma programação a dois, mesmo que seja no sofá da sala, e por que não um cineminha? É andar de mãos dadas porque isto simboliza o querer bem, a união, o ficar e desejar estar juntos… Um elogio também é muito bom. E sim, pode mandar um WhatsApp dizendo sobre o quanto ainda se amam e porque não, com frases “revigorantes”! É compartilhar sentimentos, sensações e desejos pessoais no meio de tantas contas para pagar e decisões a tomar. Nunca deixar de cuidar do outro.
O Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes com grande maestria fala deste amor que precisa estar atento, ter zelo e encanto e que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. E ele vai durar enquanto for alimentado.
Muitos casais se separam porque não conseguem perceber em que momento este “namorar” não está sendo vivido. Não percebem que se deixaram ficar novamente “solteiros” sem reconhecer que o encanto está ao seu lado, basta enamorar-se.
O processo de terapia auxilia no resgate do tear a vida a dois, onde os nós são refeitos e ressignificados. Simbolicamente a música Mulher Rendeira:”…tu me ensina a fazê renda, que eu te ensino a namorá….” permite sentir que, aprender a namorar é possível.
Claudinéia Sartori
Psicóloga Clínica e Hospitalar CRP: 06/54651