SER MÃE TAMBÉM É CUIDAR DE SÍ

Quando se recebe no colo aquele ser pequeno, após cortar o cordão umbilical ou quando se espera anos e anos, e tem o privilégio do primeiro olhar ou quando se é escolhida entre milhares de mulheres para ser o anjo da guarda sem asas, tudo muda… A maneira que se vê o mundo, os sonhos, as escolhas, os medos, as preocupações. Na maioria das vezes todo cuidado é voltado para o filho ou para a filha, seja ele vindo do ventre ou não. Dia a dia vai nascendo e sendo fortalecida a figura materna e muitas vão deixando a mulher, filha, amiga, esposa, namorada ou profissional no meio do caminho. Mãe também precisa de colo, de carinhos, de atenção, de elogio… Mãe também tem necessidade de crescer, de se orgulhar de si, de cuidar de si.

Cuidado esse não apenas físico, mas também das angústias, preocupações, medos, ansiedades… Mãe não é uma máquina de cuidar do filho, do outro, de tudo ou de todos, é também ser humano que tem necessidades como qualquer outro ser.

Quando me deparo com uma nova criança chegando para um processo de Psicoterapia, um dos primeiros pensamentos é como se encontra emocionalmente essa mãe, seja ela representada pela aquela que pariu ou aquela que o coração escolheu… Como se encontra o ser humano que em muitos casos abdicou da própria vida para viver em função do filho.

Mães abdicam de voar e crescer na expectativa e na imaginação de que o filho faça isso da melhor forma possível, até mesmo por ela. Esquece que quando ele cresce e voa o ninho fica vazio e a vida tem que continuar. Temos o conceito que ser mãe é renunciar do que existia antes e ser a pessoa que não pode falhar nunca, que busca a perfeição a todo momento, que terá um amor incondicional. O filho não necessita de uma mãe impecável, mas de uma mãe real que se ama e se cuida, mostrando ao filho que pode amar incondicionalmente o outro e ao mesmo tempo a si mesma. Cuidar de si mesma é essencial para que esteja bem emocionalmente para cuidar do filho.

Sabe-se o quanto é exaustivo ser mãe e ser mais um milhão de coisas, mas é necessário priorizar a saúde mental, não precisa adoecer para pedir ajudar e/ou estar em psicoterapia, ter um seu espaço para falar de você de suas angustias e temores, não é fácil ser mãe e estar em psicoterapia sem falar dos filhos ou estar lá por conta dos filhos. Não é a toa que cada vez mais, mães estão sofrendo silenciosamente com depressão, transtornos de ansiedades, síndrome do pânico, com a síndrome da péssima mãe, entre outros. Não, você não será uma péssima mãe se cuidar de você e muito menos será fraca se estiver sofrendo e precisar de ajuda. Conversar consigo mesma e escutar a si, se faz importante e essencial na vida de qualquer mulher.

Não podemos esquecer que ninguém nasce mãe e que um filho não tem manual de instruções. “Mãe também chora por medo, insegurança, estresse, cansaço… Chora porque sonha com dias melhores, porque precisa extravasar! Chora porque Mãe também é gente e precisa libertar!”. Cuide de você para que tenha uma estrutura forte e firme para cuidar e criar seu filho.

MONIQUE DONATO PEREIRA  – CRP: 06/117101
Psicóloga Clínica

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