MULHER JOVEM OPTA POR NÃO TER FILHOS

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Entrevista cedida ao Jornal do Trem e reportagem no Programa Fala Que Te Escuto da Rede Record

– A taxa de natalidade é baixa em todos o país. Muitas mulheres estão tendo filho de maneira tardia e muitas simplesmente não querem ter filhos. Quais são os fatores sociais que influenciam na escolha dessas mulheres?

Estamos vivendo numa geração onde as mulheres, principalmente as mais jovens , tem o foco em sua ascensão profissional, independência financeira, independência e autonomia. A mulher hoje está muito mais voltada em suas conquistas pessoais. Nesse contexto, não se tem espaço para um filho, que requer dividir seu tempo na dedicação ao outro. Depois dos 30 anos, a mulher geralmente já conquistou seu espaço na sociedade, no reconhecimento profissional e já tem certa estabilidade financeira, favorecendo assim a possibilidade de optar pela maternidade.

Preocupações financeiras, a sociedade caótica que vivemos onde não se tem segurança por exemplo, também estão levando cada vez mais casais optarem por terem apenas um filho.
– As mulheres que decidem não ter filhos, por vezes, são julgadas pela sociedade. Ainda há aquela história de que mulher é sinônimo de mãe. Por que isso ainda acontece?

Creio que estamos falando de uma imagem estereotipada, onde se tem a crença que a mulher que não vivencia a maternidade é incompleta em sua existência, ou ainda, que toda mulher nasce com instinto para ser mãe.Ser mãe é a expressão de um desejo e é preciso respeitar esse desejo de ser ou não ser mãe. Não se nasce com esse instinto maternal. É uma escolha pessoal.

Há uma idade de maturação da ideia de ser mãe? A mulher sabe se ela nasceu para exercer ou não esse papel?
Idade cronológica não, visto que a maturação é um processo que depende da pessoa, de suas experiências, sua vivência interior, do quanto foi ou não, em sua vida, estimulada a nível de desenvolvimento pessoal. Estamos falando de maturidade afetiva. A maternidade exige esta maturidade, pois, envolve principalmente a capacidade de cuidar do outro, de renunciar a determinadas coisas, sacrificar-se, o que implica diretamente ter um bom nível de autoconhecimento, pois, para cuidar do outro e perceber suas necessidades preciso primeiro conhecer e validar as minhas próprias necessidades. Portanto, o momento ideal de ser mãe é aquele no qual a pessoa sente-se preparada afetivamente para este compromisso de entrega e dedicação, que quando se trata de filhos, tem longo tempo de duração.

Quanto a ideia de nascer pronta para ser mãe temos aí uma ilusão. O ser humano de forma geral, não nasce pronto, necessita de estímulo e espaço saudável para seu desenvolvimento. O que presencio em consultório são mulheres adultas por vezes amedrontadas com a maternidade devido a diversos fatores como:
– infância, sua própria vivência nessa relação filha/mãe, o quanto foi saudável ou precária
-idéias pre-concebidas sobre perdas; onde a gestação só é compreendida como um sinônimo de perda ( do corpo esbelto, do amor exclusivo do marido, da carreira, etc…)
-Medos: de que não sera uma boa mãe, que não dará conta da maternidade, que não terá condição emocional ou financeira para criar o filho, entre outros

Se uma mulher decide não ser mãe, mas depois se arrepende, o que pode acontecer com ela em termos psicológicos – digo isso em relação a mulheres que se submetem a cirurgias ou aquelas que simplesmente passam da idade de engravidar?

O arrependimento é sinal de conflito interior, ou seja, aquela decisão no passado não está fazendo mais sentido ou não está de acordo com seu desejo e expectativas atuais. Infelizmente, arrependimentos acontecem com mais frequência do que podemos imaginar, não somente no caso da maternidade, mas em todos os setores de nossas vidas. Isso porque somos seres mutáveis e em eterna transformação: o que queríamos no passado, o que tínhamos como prioridades, valores, expectativas, se modificam no decorrer da vida. Então , quando tomamos decisões radicais e definitivas como o caso de mulheres jovens optarem por não terem filhos, o que resta é aprender a viver com a realidade de agora estarem num outro momento da vida e não poderem mais ter essa opção. Lidar com essa frustração não é nada fácil. Com certeza alguns danos emocionais podem emergir como: depressão, ansiedade, sentimento de perda, baixa autoestima entre outros.

A psicoterapia neste caso é altamente recomendada para que a mulher possa expressar este descontentamento e aprender a lidar de forma saudável com esta decisão tomada, encontrando junto com o profissional capacitado, o psicólogo, alternativas no momento atual. O acompanhamento psicológico é essencial para que a pessoa resinifique o que viveu, encontrando junto com o psicólogo a forma mais saudável de lidar atualmente com a decisão tomada em outro período de sua vida.

– A mulher que toma essa decisão precisa de terapia para saber se é realmente aquilo que ela quer? Tem mulheres que tomam essa decisão de forma prematura, sem saber o futuro, essa pessoa precisa ter um acompanhamento?

Com certeza a psicoterapia é um facilitador do auto conhecimento. Na psicoterapia investigamos quais são as motivações e razões reais que originaram esta decisão. E claro, esse trabalho realizado em conjunto psicólogo/paciente deve ser feito antes que essa decisão se torne fato consumado.

O ser humano é motivado a tomar decisões por diversas vertentes que nem sempre são conscientes ou que talvez só expressem um desejo momentâneo. Nesses casos, as consequências dessas decisões lá na frente podem ser catastróficas.

Quando a escolha da mulher for realizar uma esterilização precoce, o ideal é que a psicoterapia aconteça antes e depois da decisão tomada, Há de se ter um acompanhamento posterior para que a mulher possa adaptar-se as novas condições de sua vida. Qualquer cirurgia é um procedimento invasivo onde o corpo fica ressentido e gera mudanças e alterações. E claro, as adaptações a essa nova realidade se estendem nas diversas áreas da vida: social, familiar, afetivo.

Para finalizar, acredito que toda escolha radical ou extrema, deve ser muito investigada antes. Perguntas como: Porque preciso ter uma decisão tão extrema para assegurar-me que não poderei mudar de ideia? O que me aflige tanto para ser tão radical? Vou dar conta dessa decisão tomada e suas consequências no futuro?

Toda escolha tem seu ônus e seu bônus. Talvez as mulheres jovens só estejam com o foco no ônus da maternidade.

Kelly Cabrera
Psicóloga clínica- CRP 06/71762
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.


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