DO PRETO AO BRANCO, INDO ALÉM DOS 50 TONS DE CINZA

banner-paginas-posts


“Tudo depende de como olhamos para as coisas, e não como elas são em si mesmas” (Carl Jung)
O fenômeno mundial  Cinquenta Tons de Cinza volta à vida com o lançamento mundial do filme, que vem batendo recordes de bilheteria e despertando novamente o olhar para Christian e Ana, protagonistas do filme.
Por que um livro de qualidade literária duvidosa faz tanto sucesso? Porque trata de sexo, seria umas das respostas…, contudo o livro não fala somente de sexo. Isso seria uma visão muito simplista do fenômeno mundial.
Sexualidade com certeza é abordada e junto dela, toda a sua complexidade. Várias questões foram levantadas; em pleno século 21 com tanto movimento feminista. Teria a mulher um desejo inconsciente de realmente ter um príncipe encantado, que a acolhesse, que mandasse, que cobrisse de presentes saciando suas necessidades básicas? O Christian é o verdadeiro príncipe de contos de fadas, que ao invés de cavalo branco, chega de Audi e helicóptero. A mulher inconscientemente pensa assim ainda nos dias de hoje? Não podemos afirmar ou negar, há tantas coisas envolvidas nessa questão, valores, cultura, religião.
Vivemos em um mundo de inúmeras realidades, com mulheres e homens tentando sobreviver do jeito que acham certo ás inúmeras cobranças sociais. O livro gerou um fenômeno literário chamado: “Mummy porn”, traduzido como pornô para mães. A princípio o público alvo do livro, mulheres casadas e mães que precisavam de um pouco de “fantasia” para apimentar suas relações, mães que leram o livro, enquanto esperavam os filhos voltarem da escola, e que sonharam com as amarras do protagonista em suas próprias mãos. Que geraram dúvidas em relação à “pegada” de seus parceiros, que contribuíram para questionar o que é certo e errado dentro de quatro paredes. Qual o limite permitido em uma relação? Várias pacientes chegaram com dúvidas no consultório sobre seus relacionamentos, umas com mais consciência; outros com menos consciência, mas uma questão é certa: sexo ainda é uma preocupação constante na vida das pessoas, e por mais que as pessoas se denominem “abertas” e “resolvidas”, não é bem assim que acontece. Um simples livro que trata de um assunto tão antigo como sadomasoquismo, abordado desde o Sec XVIII pelo Marquês de Sade, de onde derivou o nome “sádico”, ou seja, pessoa que tem prazer sexual com o sofrimento alheio seja físico ou psicológico. Mais uma vez é questionado o que vale em uma relação sexual. É quase uma unanimidade entre psicólogos e médicos um consenso, que o casal entre em comum acordo do que é permitido. Acordo é parte importante do livro assim como é parte importante em nossas vidas.
Uma das questões do livro que mais geraram polêmica é o contrato que Christian quer que Ana assine para ela ser sua parceira sexual. O contrato consiste em vários itens; desde os cuidados médicos até os dias que se encontrarão e o que farão em seus encontros. A vida de todas as pessoas é permeada por contrato só que não vão parar no papel. Quantos dias por semana vão à academia, o que devem comer, o que devem vestir, que método contraceptivo devem utilizar e muitos outros itens. O protagonista do livro só resolveu colocar isso em papel e assinar, mas a maioria de nós faz isso todos os dias, é uma concepção social e pessoal, que nos permite conviver com o outro e em sociedade.
Não há verdade absoluta sobre o correto, mas muitas mulheres ainda se sentem obrigadas a cederem aos desejos de seus parceiros para agradarem, e sentem medo de não serem a mulher idealizada por eles. No livro Ana é uma moça ainda imatura que não sabe ao certo as nuances permitidas na hora do sexo, e se questiona diversas vezes sobre o assunto e acredita que com a forma do amor irá mudar as atitudes de seu amado, que teve o amor negado em sua infância, e que só conhece o prazer e o amor junto com a dor. Esse conceito que uma pessoa é capaz de mudar o comportamento de outra pessoa é bastante questionável, na maioria das vezes as pessoas entram em uma relação com diversas expectativas em relação ao outro, e com a fantasia que pode mudar a outra pessoa. Expectativas essas que na grande maioria das vezes será frustrada, gerando ainda mais tensão no relacionamento.
O importante é que nenhuma pessoa seja homem ou mulher deva ir além de seus conceitos e limites. Se não tem consciência destes, deve procurar ajuda profissional para auxiliar a descobrir. A sexualidade humana é muito complexa, e vários aspectos devem ser levados em conta; aspectos fisiológicos, psicológicos, culturais, sociais e religiosos, formam as nuances de um indivíduo em relação a sua sexualidade. Há diversos tons de cinza entre o branco da clareza e o preto da dúvida. O importante em relação ao que o livro desperta, independente das crenças de cada pessoa sobre se é bom ou ruim, certo ou errado.  É questionar sempre suas relações consigo mesmo, com o parceiro ou parceira e estar sempre aberto para descobrir em si as diferentes facetas do ser humano.
 
Rosangela Corrêa Psicóloga Junguiana CRP 06/45870
 
*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.
equilybra_psicologia_50_tons_de_cinza equilybra_psicologia_cinquenta_tons_de_cinza equilybra_psicologia_Fifty_Shades_of_Grey


 

Rua do Grito 133, Ipiranga – Próx. ao metro Sacomã

contato@equilybra.com.brequilybrapsicologia@hotmail.com

CRP/PJ: 4997-J

icone-face icone-instagram icone-youtube

tato@equilybra.com.brequilybrapsicologia@hotmail.com

CRP: 4997-J

Facebook Equilybra

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.