ADULTIZAÇÃO INFANTIL:CRIANÇA SENDO CRIANÇA!!!

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“O aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo. Ele não pode aprender o que suas estruturas cognitivas ainda não podem absorver” (Piaget). Hoje em dia, podemos perceber que as crianças estão se comportando como  “pequenos adultos”. Cada vez mais cedo, elas assumem responsabilidades, ocupam-se de uma rotina sobrecarregada de atividades quase ou igual a rotina de um adulto, muitas vezes até mais. Desprotegidas, recebem de forma direta a influência de uma sociedade que exige seres perfeitos. Como se isso não fosse bastante, muitos pequenos sentem o peso das exigências de “gente grande” como a falta de dinheiro ou o problema do desemprego na família. Esse artigo tem por objetivo questionar a adultização da criança nos dias atuais, discutir suas principais causas e consequências, e apontar a necessidade de mobilização de toda sociedade, a fim de resgatarmos a infância perdida de nossas crianças. O que podemos fazer como cidadãos, pais e educadores, diante desse processo de adultização da infância? Durante muito tempo a sociedade agiu de maneira indiferente com relação à infância. As crianças, de maneira muitas vezes sutil ou subliminar, são pressionadas a serem pequenos adultos. Imitam hábitos e costumes dos adultos e muitas vezes já nem sentem alegria pela infância, seu desejo é alcançar a maioridade. Vamos citar agora alguns dos vilões responsáveis por acelerar o processo de adultização nas crianças. O primeiro e mais poderoso de todos nos dias atuais é a mídia.  Em se tratando de poder, as mídias são atualmente fortes instrumentos de influência e manipulação na educação e construção desses novos seres “adultizados”. No Brasil, as músicas que as crianças cantam, não são mais tão infantis. As maquiagens, roupas e calçados copiam o adulto como se os gostos fossem os mesmos. As danças sensuais e canções com palavras obscenas já fazem parte do repertório preferido dos pequenos. Meninas usam roupas e objetos que estimulam a sexualidade precoce, assistem aos mesmos programas de televisão e falam a mesma linguagem dos adultos. Garotinhas usam salto alto e meninos de apenas cinco anos de idade já querem se vestir como adultos e já não aceitam usar roupas que possuam qualquer desenho infantil que os faça parecer crianças. Abraçar e pegar na mão do filho é considerado motivo de vergonha. Crianças trabalham e apresentam programas de televisão, ainda que sejam programas infantis.  Videogames e filmes também podem ser considerados vilões e responsáveis pelo processo de adultização. Os jogos infantis também mudaram, a diversão agora são os videogames e os filmes repletos de violência. Os brinquedos já vêm prontos, tudo é industrializado, só é preciso manusear. Campeonatos infantis são atração para os pais, que cobram dos filhos ótimos resultados de placar. E quanto a alimentação não há mais distinção entre o lanche do adulto e da criança, todos devem saborear os deliciosos “hambúrgueres” em qualquer tempo. Sem falar da literatura infantil que também está mudando. Até as ruas que antigamente eram lugar de socialização, hoje refletem a falta de relacionamento e interação entre pessoas. Mas, quais são os objetivos dessa adultização? E os interesses? Obviamente não podemos descartar que existe um interesse econômico por trás disso tudo. A intenção é educar crianças para serem consumidores em potencial, educar para o consumo e para a submissão de ideias. Produzir consumidores mirins que satisfarão cada vez mais os desejos desse sistema que insiste em condicionar o verdadeiro sentido da infância ao status, dinheiro e mecanização. As crianças estão sendo pressionadas a crescerem depressa, quando na verdade deveriam respeitar seu processo de desenvolvimento, pois não pensam, não sentem, nem aprendem como os adultos. Elas precisam de tempo para crescer e, pressioná-las a viver como adultas só irá gerar  seres com dificuldades, inseguranças , frustrações e conflitos no futuro. E como evitar ou ao menos retardar esse processo? Será preciso resgatar a verdadeira infância, na qual há um mundo de fantasia, imaginação, criatividade e brincadeiras. Este estímulo deve primeiramente ter início dentro de casa, para que se estenda para educadores e profissionais da área, pois como estimuladores do conhecimento, poderão trazer para a criança o verdadeiro sentido da infância e principalmente o verdadeiro sentido de cada fase dela. É deixar , permitir e aceitar que a criança seja apenas uma criança, respeitar cada fase , cada ritmo, cada desenvolvimento, cada evolução. Cada criança possui um ritmo de aprendizado que não necessariamente se adéqua a expectativas adultas, por isso é muito importante conhecer a criança e respeitar que ela irá sim passar pelo processo de infância dentro das condições e da estrutura que seu desenvolvimento permite. Cada coisa em seu tempo. Deixemos que as crianças sejam apenas crianças. Aline Salvador  Psicóloga Infantil CRP: 06/94864 *O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.

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