EU PRECISO SER MÃE?

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EU PRECISO SER MÃE ?

“Dia das mães”, data que mobiliza sentimentos diversos. Com a mãe presente existe alegria e prazer, é o momento de reunião onde além das boas risadas é degustada aquela comida carinhosamente preparada de forma especial, que só ela sabe fazer. Para os filhos, onde a mãe não está presente, surge a angustia e a tristeza sendo um período de saudades, recordações e dor pela ausência. É um momento em que a vivência da maternidade esta aflorada, sendo filha ela é percebida por um prisma, sendo mãe por outro.

Existe um outro olhar sobre este instante. Há mulheres que por opção ou por problemas físicos, não terão filhos.  Para refletirmos sobre estas questões, precisamos diferenciar o que é mãe e do que é materno.

Para a biologia, mãe, é aquela que reproduz, tem a capacidade de gerar um novo ser. No entanto o conceito de Ser Mãe e maternidade vai muito além desta visão.

O espírito materno é característica nata de todos os mamíferos, ele é desenvolvido e ativado para ser utilizado como um manual de instrução (oculto) frente aos cuidados necessários para garantir a sobrevivência da sua espécie. Viver o materno é algo que vai além do cuidado físico, é uma força invisível que permite orientar, acolher e compartilhar alegrias, tristezas, raivas entre outros sentimentos. Isto faz parte do feminino. O feminino nutre não somente com seu leite, mas também com suas palavras, seus gestos, sua intuição, sua capacidade em dar e receber.

“Mãe é aquela que oferece cuidado, proteção, carinho ou assistência a quem precisa.”( definição do dicionário, forma figurada).Há muitas mulheres que optaram por viver esta forma de maternidade  com seus sobrinhos, amigos, funcionários pessoas importantes do seu convívio, etc…demostrando que o amor verdadeiro é aquele que vem da alma ,não precisa ser somente aquele que vem do ventre.

Preciso ser mãe para viver todos estes sentimentos? Com toda certeza não. O espírito materno faz parte do inconsciente coletivo e passa por um processo de evolução. Na época das nossas avós, ou até mais recente ainda, entendia-se que a mulher somente se tornaria plena quando concebia os filhos e vivesse exclusivamente para eles. Hoje a mulher plena vive todas suas emoções, sabe falar e decide quando calar, tem paciência ou falta dela, pode fraquejar ou resistir e pode ainda optar por ter filhos ou não, mesmo assim sentir-se plena e realizada.

O “materno” vai além da gestação, é algo que vem de dentro sem formas ou receitas e que nos acompanha durante toda vida, representa o elo que une a mulher ao princípio feminino oferecendo sentido e significado para a vida daqueles que fazem parte da sua história. O feminino gera pessoas para viverem o amor fraterno.

 

Claudineia Sartori CRP 06/ 54651

Psicóloga Clínica Especialista em Psicologia Hospitalar e Psicossomática

*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.


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