MÃES ENLUTADAS: “ADEUS FILHO QUERIDO”

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Desespero, desesperança, revolta, incompreensão, inconformismo. É ilógico, irracional, antinatural. Uma dor insuportável, vontade de ir embora também. Um vazio absoluto, um ficar sem rumo, sem teto, sem chão e sem direção. Falta de sentido, de prazer, de projeção futura.

Não há perda maior e nem palavras para descrever tamanha dor.

Uma mãe jamais imagina a morte de um filho, e quando recebe essa notícia sua dor é indescritível! A perda de um filho, independentemente de sua idade, é uma das vivências mais dolorosa para o ser humano. É um sofrimento dilacerante, profundo, intenso.

Desde que o mundo é mundo, sabemos que pela ordem natural do universo, nossos pais deveriam partir primeiro que nós, os filhos. E vamos nos preparando para esse fato.

Porém, infelizmente não é raro que aconteça o contrário. Essa é a perda que mais desestabiliza um ser humano, pois filho não se substitui e não se esquece. Não existe ex-filho. E muitas vezes, sem uma ajuda psicológica, esses pais acabam transformando essa dor intensa em doenças. Isso é muito comum: depressão profunda, estresse pós-traumático, pânico entre outras. Doenças físicas também surgem como: pressão alta, gastrite, distúrbios cardíacos, etc.

Longe de propor uma cura para essa dor, pois estamos lidando com uma cicatriz indelével, duradoura e que não desaparece, a ajuda de um psicólogo especializado no tema, é eficaz para que essa mãe possa passar pelo luto de forma mais consciente e assim ter a oportunidade de uma readaptação e reestruturação diante dessa nova realidade. 

Não existem fórmulas, tempo certo de duração de um luto, prescrições que servem para todos os casos. Cada um vive o luto de um jeito único e individual, no seu tempo, na sua intensidade. O  primeiro passo é respeitar essa individualidade.

Mas, com certeza, algumas observações são importantes de serem citadas quando o tema é o luto dos pais por seu filho.

1º) É necessário chorar e sofrer, não há alternativa. Represar os sentimentos conduz a doenças, cristalizando cada vez mais o sofrimento. Infelizmente a morte ainda é um tabú e tema evitado em nossa sociedade. As pessoas próximas costumam evitar o assunto para não entristecer o outro, ou por achar que impedindo a expressão da dor, a mãe poderá superar rapidamente sua perda. Isso é um engano. Permitir que venha à tona os sentimentos, alivia, acalma e é sinal de respeito, aceitação e compreensão dessa dor.

Porém tudo tem sua medida, seu tempo e intensidade. No caso de pais enlutados, o que geralmente percebemos é que o sofrimento precisa ser eterno para também ¨eternizar¨ a memória desse filho. Em outras palavras, o parar de sofrer seria uma traição a esse filho que teve sua vida interrompida. Os pais não se permitem parar de sofrer por conta disso.

2º) Falar sobre o assunto, os sentimentos, a dor também é crucial. Quando se dá nome aos sentimentos, transformando-os em palavras, facilita sua identificação, troca com as pessoas, compreensão e elaboração.

3º) Por serem responsáveis pela vinda e vida dos filhos, os pais fatalmente sentem-se culpados. Pelos cuidados que imaginam poder ter evitado a morte do filho, por sobreviverem e por terem direito a continuarem a ter prazer e felicidade após essa fatalidade. Essa culpa irá aparecer em algum momento do luto e deverá ser respeitada, compreendida e superada, pois não somos responsáveis pelas tragédias que a vida muitas vezes oferece, não temos domínio nem poder para evitá-las. Mas o que decidimos fazer de nossas vidas após a tragédia, com certeza está em nossas mãos.

4º) Ter religiosidade é de extrema importância. É reconfortante saber que estamos de passagem nessa vida e que esta continua após a morte. Porém, essa certeza não elimina o sentimento de saudades e de tristeza, como parentes e amigos insistem em confortar os pais enlutados a superarem sua perda e sua dor com sua crença e até chegam a questionarem a fé dos pais por eles estarem sofrendo. Religiosidade e saudades não são excludentes uma da outra.

5º) A vida não será mais como era antes. Não existe cura para essa perda inestimável.

Mas, após a passagem de todas as fases de luto vividas como negação, revolta, desespero, tristeza e resignação, ajudar esses pais a reestruturarem suas vidas diante dessa nova realidade que se apresenta, buscando motivações, novos objetivos e o merecimento de continuarem vivendo e sendo merecedores de felicidade é tarefa que deve ser cumprida também com a ajuda da família, amigos e profissionais da saúde.

Buscar ajuda do psicólogo, principalmente em casos de pais enlutados, por todas as observações acima citadas, é altamente indicada. E a psicoterapia do luto é uma especialidade onde o profissional está preparado para ajudar seu paciente a passar por esse momento tão difícil.

Para concluir, gostaria de ressaltar que embora o foco desse texto tenha sido o luto materno, não quer dizer que o pai não mereça atenção, ajuda, ou que sua dor seja menor. Pelo contrário. O homem culturalmente é estimulado a ser o mais forte, o provedor da família, o que não pode expressar seus sentimentos e o responsável por ser o mais racional da relação. O fato do pai muitas vezes assumir essa postura mais austera, conformada e serena, muitas vezes é interpretada por sua companheira como distância, descaso, falta de compreensão e pouco amor pelo filho que partiu. Estatisticamente por conta disso, muitos casais acabam se desentendendo e se separando após a morte de um filho. A ajuda psicológica ao pai é extremamente recomendável pois no espaço terapêutico ele poderá se sentir mais a vontade para expressar suas emoções e vivenciar seu luto. 

Rita Pinella
Psicóloga Clínica CRP: 06/29395

*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.

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